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A chegada

Quando AnaJulia começou a assimilar a idéia de que teria que ir morar com a mãe no Nordeste, bateu-lhe uma depressão terrível.Sentiu-se como se fosse o fim do mundo.Não que achasse ruim ficar com a mãe.Sempre fora acostumada apenas com as visitas dela de vez em quando, como quem recebe uma amiga E isso nunca lhe afligira.Mas o estranho era que morara com pai desde criança, sua vida era alí em São Paulo.Ora, que se danasse o fato de seu pai estar falindo e não poder mais pagar um colégio caro.Talvez o que lhe consolava fosse justamente o problema de seu pai.Desde certos tempos ele não era mais o mesmo, principalmente desde que casara-se com a últma mulher, que por sinal também era insuportável.Então haviam esses dois motivos para fazê-la desejar ir embora mesmo.Mas os motivos para não querer ir eram inúmeros.Não dava para acreditar que iria terminar seus dias numa cidadezinha com menos de 50 mil habitantes em pleno sertão do Ceará.Nada pessoal, pois sua mãe adorava aquele lugar, mas sinceramente isso era um fim de mundo.Nem aeroporto tinha.Para se chegar lá se era obrigado a ir até a capital, depois tomar um ônibus, mais cinco horas até finalmente se chegar lá.Era um pesadelo.Provavelmente heavy metal por lá era uma coisa de outro mundo.E as pessoas certamente eram estranhas, caipiras.
Naquela hora ela já estava nesse dito ônibus que encerrava o trajeto até a cidade de São Tomás.Enquanto ouvia nos fones de seu mp4 o som de uma banda de metal gótico, olhava para o lado de fora, uma sensação de tristeza.Parecia que algo estava acabando.Se sentia péssima.Tinha poucos amigos em São Paulo, mas sentiria falta desses mesmo.De seu pai também, apesar daquela sua nova e detestável personalidade.Entendia o momento ruim que ele estava passando, mas não havia nessecidade de discontar nela.Sentiria menos saudades dele por isso.Por outro lado pensar no carinho da mãe a confortava um pouco.
Logo de longe pôde avistar a cidade, que mais parecia uma pequena vila perdida no meio da mata.Aquela vegetação seca e feia.Asensação que sentiu foi de um vazio imenso, olhando aquele lugar tão pequeno, tão diferente dos prédios da Avenida Paulista.
Enfim quando o veículo parou na rodoviária, esta totalmente deserta, sua mãe estava lá esperando-a muito sorridente e feliz.Abraçar a mãe foi algo que momentaneamente lhe afastou qualquer tristeza.Então dirigiram-se para o carro.Jayne deu um trocado a um garoto para ajudar a levar a bagágem.Depois de atravessar algumas mísera ruazinhas,onde a mulher mostrava rapidamente a ela, a praça da matriz, o mercado...
_Depois você irá conhecer tudo._dizia a mulher empolgada.
Ana julia, no banco do carona, pensava: "acho que não quero conhecer".
Pelo menos a casa lhe pareceu legal.Bonita, decoraçao impecável, que era fruto do bom gosto de sua mãe.E principalmente por que já havia um quarto carinhosamente preparado para ela.
_Pronto, filha, agora eu só quero que você descanse bastante porque sei que essa viágem foi cansativa e chata.Toma um banho e vai dormir, depois agente conversa...Temos muito pra conversar...
Depois desse tom tão amável da mãe Ana julia foi obrigada a retribuir com um sorriso.
_Tá_respondeu.
Ana julia, exausta adormeceu pensando pensando que pelo menos ia apagar uns momentos e sair daquele pesadelo momentaneamente.Para depois acordar e enfrentá-lo.Uma cidade pequena horrenda, um colégio novo, certamente sem ninguém legal, um lugar isolado do mundo, sem nada interessante para fazer, sem lojas de roupas góticas, sem shows de metal...


Do Melhor Linkk | del.icio.us

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